Dizem que tenho Alma de poeta. É possível, mas para além de poeta, sou mulher, fui criança, sou ser humano. Na grande maioria das vezes vejo e sinto coisas que só sei expressar por palavras, por imagens. É um jeito de ser... é o meu jeito de pôr a Alma no scriptum...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

D. Alice



Posso falar de tamanhos. Tamanha pode ser a grandeza da quantidade humana que se pode encontrar num pequeno corpo. Um olhar de criança, felicidade contida nos olhos, que a idade permitiu, a certeza de  ter visto muita coisa. Coisas que de certeza não sei, não conheço, e na probabilidade que se podem dar as certezas, que tanta gente desconhece.
As marcas do tempo na face e no corpo, as debilidades próprias de quem vê a juventude já ida, não lhe acorrentam as vontades de ser jovem. E não fossem as marcas visíveis, ninguém lhe daria a idade que tem.
Assim é D. Alice. De braços abertos à chegada de estranhos, que por mãos amigas lhe chegam. O orgulho na sua gente , nas suas raízes, transborda em seu redor, e extravasa naqueles que com ela compartilham o sangue. Foi o seu saber, a sua vivacidade, que transmitiu aos seus, aquela alegria e orgulho nas suas origens, no seu modo de vida.
Dando o melhor do que é seu, D. Alice recebe a vida e o que os outros lhe têm para dar.
Tem a musicalidade na alma, e nunca se nega a cantar as suas vivências. Misturada entre um arco-íris de idades, D. Alice é a mais jovem de todos. As horas não passam, o corpo não cansa enquanto houver alegria e algo a compartilhar. Despindo-se do seu conforto, não guarda o melhor para si, para que todos se sintam em casa.
E aquela foi de facto a minha casa. Ali revivi uma forma de estar na vida à qual tinha fechado os olhos, em compassos de vida que agora pretendo fechar na gaveta. São outros sons os que ouvi ali. Uma pequena grande lição. De braços abertos podemos dar e retribuir o melhor de nós e de certeza sermos felizes.
As durezas da vida, não endureceram a perspectiva de vida desta grande senhora. Um sorriso aberto e largo, que transmitiu à sua prol, aos seus pintos. E não a julguem galinha velha. A juventude habita em si , como habita em todos aqueles que negam ao tempo as suas marcas, restituindo com amizade e alegria as amarguras da vida.
São os pequenos gestos que fazem grandes as pessoas...
Obrigado D. Alice pelos seus braços abertos, pela sua alegria e pelo que ensina apenas pelo seu jeito de ser, a todos quantos a conhecem.
Porque a nossa gente é gente boa apesar da incerteza que por vezes a vida contém...

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