Dizem que tenho Alma de poeta. É possível, mas para além de poeta, sou mulher, fui criança, sou ser humano. Na grande maioria das vezes vejo e sinto coisas que só sei expressar por palavras, por imagens. É um jeito de ser... é o meu jeito de pôr a Alma no scriptum...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Caixas vazias II

Que fazer então com as caixas, se já nenhum futuro promissor lhes caberá no interior? Nem de serventia, teriam já  qualquer sentido. Que fazer com elas, se ao lixo não as poderei atirar - ficariam a doer-me, na distância.
Pensei em colocá-las exactamente no mesmo local, de onde as havia tirado -de qualquer das formas, onde estavam não me incomodavam. Fui eu na minha eterna incapacidade de sossego, que as retirei do seu sonolento e inercio estar,  fui eu que lhes quis dar vida, quando toda a vida que fora sua se perdeu - no momento que tiveram o seu auge - na lembrança do momento que pretendiam guardar.
Encher as caixas de novas vidas - era essa a ideia genial - transforma-las em utilidades múltiplas do dia a dia, fundi-las com as rotinas que vestem (quer queiramos quer não) de segurança as nossas vidas.
O difícil é encontrar utilidades para encher as caixas: o difícil é encontrar sentidos nessas utilidades; o difícil é não voltar a transformar as caixas noutras de igual valor, mas agora cheias de coisas que nunca saberemos bem para que é que irão servir. 

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